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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

CRÍTICA DE SÉRIE | YOU (1ª TEMPORADA) (2018)

Descrição da imagem: foto promocional da série YOU onde mostra em primeiro plano o rosto do ator Penn Badgley como o personagem Joe com um olhar fixo. Em segundo plano, uma imagem simulando o perfil de instagram da personagem Beck interpretada por Elizabeth Lail, em que há a foto de perfil e outras dela sozinha, com Joe e com suas amigas.



Superficialmente, Joe Goldberg parece ser o cara perfeito. Ele é inteligente, atencioso, administra uma livraria e, curiosamente, parece ter aquele jeitinho nerd sexy do Dan Humphrey de Gossip Girl (o personagem que deu fama ao ator Penn Badgley). No entanto, como as coisas nunca são tão simples quanto parecem, ele na verdade, é um completo stalker sociopata que se vê sortudo quando a jovem Beck entra na livraria e logo em seguida os dois criam uma conexão por causa da paixão pela literatura. Beck (que na verdade se chama Guinevere Beck – interpretada por Elizabeth Lail) é uma aspirante a escritora e possui uma vida on-line intensa, facilitando a coleta de tudo o que Joe precisa saber: o que ela faz, onde mora, a história da família e os amigos. Convencido de que ela é a mulher perfeita da sua vida, ele faz de tudo para provar que é digno de sua atenção.

Ou seja, YOU traz uma história sobre um cara que não sabe a diferença entre obsessão e amor, vivendo em um mundo que muitas vezes tem o mesmo problema. Criada por Sara Gamble e Greg Berlanti e baseada no livro de mesmo nome escrito por Caroline Kepnes, a série é desenvolvida sob o ponto de vista de Joe (e em um episódio pelo de Beck) e traz diversas reviravoltas ao longo de seus 10 episódios, fazendo o expectador ficar viciado desde o início. A ambientação da série remete à Gossip Girl, ironicamente se passando em Nova York e trazendo Penn Badgley como protagonista. Mas seu Joe Goldberg não tem nada a ver com Dan Humphrey (apesar dele também ser um lonely boy na Big Apple).

Não há mistério quanto aos motivos de Joe, porque sua narração está sempre presente, não apenas explicando suas ações, mas as racionalizando. Ele tenta fazer você entender que ele não está perseguindo Beck. Ele só precisa saber um pouco mais sobre ela para que ele não se machuque. E então, ele precisa ajudar a garantir que ela não se machuque pelas pessoas em sua vida (suas amigas e os bad boys que a descartam), ou por suas próprias escolhas e com isso, ele não tem medo de fazer o que for preciso para garantir uma “vida perfeita” para ela. Totalmente assustador né?!

Descrição da imagem: De costas e usando uma blusa preta florida, está a personagem Beck de cabelos presos. Ao seu lado e olhando para ela está o personagem Joe, vestindo blazer preto. Os dois estão no parapeito de um apartamento. 

O roteiro não pretende ser sutil quando se trata de falar sobre a sociopatia de seu protagonista porque o fato é que, em muitos aspectos, Joe parece o tipo de cara que as garotas sonham em encontrar. E é isso que faz YOU construir uma dualidade em cima dos desdobramentos que algumas pessoas podem querer justificar de várias maneiras, com uma linguagem romântica sobre como Joe é o único que realmente vê Beck como ela realmente é, mesmo mostrando a dura realidade sobre o comportamento sociopata dele. Joe às vezes parece ser uma boa pessoa como é mostrado na sua relação com o vizinho Paco (Luca Padocan), tentando ajudar o garoto que vê diariamente sua mãe viciada ser abusada pelo namorado violento. Para Joe, Paco é como um espelho de sua infância também difícil. Ele se sente como um mentor do garoto, assim como o Sr. Mooney (o dono da livraria) foi para ele e sempre está incentivando- o a amar os livros profundamente. No entanto, Joe é aquele personagem com diversas camadas e sua história de fundo vai construindo o quebra-cabeça que é sua personalidade. E Penn Badgley está sensacional no papel (eu já gostava dele como ator desde Gossip Girl e da comédia Easy A), pontuando precisamente sua voz nas narrações e mesclando na tela os momentos do “cara perfeito” com o stalker obsessivo.

Mas não é apenas Joe que se mostra um personagem complexo. Beck também possui camadas e uma história de fundo que é essencial para desenvolvê-la como uma personagem interessante. Ela teve problemas com seu pai no passado e o fato dela não ser privilegiada financeiramente como suas amigas são alguns dos aspectos que fazem com que ela esteja tentando se descobrir naquele mundo cheio de superficialidade e falando de forma clichê, tentando encontrar seu lugar ao sol como escritora. Sua relação com a melhor amiga Peach (Shay Mitchell) é outro fator essencial para o desenvolvimento da história, criando um triângulo Joe/Beck/Peach.  Ter um namorado e uma amiga possessivos é uma situação muito complicada. E por isso, a série não romantiza em nenhum momento os relacionamentos abusivos que são moldados na história.

Descrição da imagem: Beck, de cabelos soltos e blusa branca estampada com pequenas detalhes pretos conversa com sua amiga Peach, esta de blusa preta e cabelos também soltos. Próximas a elas, estão várias pessoas bebendo em taças de vidro e conversando.

Há sim algumas conveniências de roteiro, como toda série possui, mas isso não afeta a qualidade da trama, que tenta fugir de características maniqueístas e trabalha muito bem os tons de cinza dos personagens. Além disso, a crítica sobre o mundo baseados em curtidas de redes sociais também trazem um algo a mais para a história.

A presença de várias mulheres no roteiro e direção dos episódios são outros aspectos essenciais para o sucesso da série e para o desenvolvimento do plot principal e seus subplots, que não poupa em mostrar a obsessão masculina por autoafirmação e por querer ser o objetivo da vida de uma mulher, comportamento bastante comum na nossa sociedade machista, afinal, não precisa ser um stalker sociopata para querer controlar a vida de sua parceira.  O mundo tá cheio de homens que praticam os mais diversos comportamentos abusivos considerados “normais” pelo patriarcado. Um “simples comentário” negativo sobre o tipo de roupa que sua parceira usa ou sobre ela usar "maquiagem demais" são sinais de relacionamento abusivo.

O perigo às vezes pode ser algo excitante, mas essa frase que quase soa como um ditado é aplicada perfeitamente a YOU. Quanto mais sentimos o perigo rondar dentro da trama, mais viciados ficamos pela série. E ao mesmo tempo em que nos sentimos viciados pela história de Joe Goldberg, refletimos sobre o quão é comum se deparar com caras possessivos e fica a questão: Who Are You? 




Trailer legendado:



FICHA TÉCNICA:


Gênero: Drama, Thriller
Número de episódios: 10
Direção: Marcos Siega, Lee Toland Krieger, Marta Cunningham, Kellie Cyrus, Erin Feeley, Victoria Mahoney, Martha Mitchell.
Roteiro: Sara Gamble, Greg Berlanti, April Blair, Michael Foley, Kelli Breslin, Neil Reynolds, Amanda Johnson-Zetterström, Adria Lang.
Elenco: Penn Badgley, Elizabeth Lail, Shay Mitchell, Luca Padovan, Zach Cherry, Nicole Kang, Kathryn Gallagher, Daniel Cosgrove, Victoria Cartagena, Natalie Paul, Mark Blum, Ambyr Childers, Hari Nef, John Stamos, Lou Taylor Pucci, Gianni Ciardiello, Michael Park, Christine Toy Johnson, Reg Rogers, Gerrard Lobo, Manini Gupta.
Produção: April Blair, Neil Reynolds, Jason Sokoloff, Adria Lang, Ryan Lindenberg
Fotografia: W. Mott Hupfel III, David Lanzenberg
Trilha sonora: Blake Neely
Edição: Gaston Jaren Lopez, Rita K. Sanders, Troy Takaki, Harry Jierjian
Figurino: Donna Maloney
Design de produção: Sarah Knowles
Direção de arte: Carmen Cárdenas
País: EUA
Ano: 2018






terça-feira, 18 de dezembro de 2018

CRÍTICA DE SÉRIE | THE ALIENIST - 1ª TEMPORADA (2018)

Descrição da imagem: em destaque estão os atores Dakota Fanning, Daniel Brühl e Luke Evans caracterizados como seus personagens de The Alienist. A imagem possui uma mistura de cores arroxeadas e alaranjadas e está escrito The Alienist em letras azul-claras.




Nova York é cenário para diversos filmes e séries de época que muitas vezes procuram não glamourizar a cidade e mostrar histórias com significados mais realistas e profundos (e às vezes cruéis). Exemplos não faltam como o filme Gangues de Nova York de Martin Scorsese e a série The Knick de Steven Soderbergh.


The Alienist, série produzida pela TNT norte-americana  e distribuída pela Netflix, é uma ótima adição a essas histórias ambientadas em Nova York. Ela retrata minuciosamente  a cidade em 1896 como se estivesse pintando uma tapeçaria única - uma cidade que é tão confortável hospedando a violência de Scorsese e a intensidade de Spike Lee como também os adornos de uma sociedade hipócrita.  A cidade com seus cortiços e avenidas  desempenha um papel importante na série baseada no livro de Caleb Carr, um thriller psicológico sobre um serial killer e o grupo de investigadores em seu rastro. Depois do brutal assassinato de um menino que trabalhava como prostituto em um bordel da cidade, o recém-nomeado comissário de polícia Theodore Roosevelt (Brian Geraghty)  apela aos serviços do Dr. Laszlo Kreizler, um psicólogo criminal, para investigar o crime. O Dr. Kreizler, interpretado por Daniel Brühl, conta com o suporte de outras pessoas talentosas: o seu melhor amigo - o cartunista do New York Times John Moore (interpretado por Luke Evans); dois jovens irmãos detetives, Marcus e Lucius Isaacson (vividos por Douglas Smith e Matthew Shear); e a secretária do comissário, Sara Howard (interpretada por Dakota Fanning).

Descrição da imagem: Dakota Fanning, Luke Evans e Daniel Brühl olham assustados para algo abaixo deles em um local à noite. Dakota e Luke seguram lampiões acesos e ambos usam chapéu. 



A dinâmica entre esse grupo de personagens tão diferentes um do outro e impulsionados por motivações distintas é muito bem escrita. Cada um deles possui sua história de fundo que aos poucos se tornam relevantes para desenvolvê-los como personagens e para dar andamento à narrativa. Entre os roteiristas estão Hossein Amini (do filme Drive), Gina Gionfriddo (de House of Cards) e Cary Joji Fukunaga, que foi responsável pela excelente 1ª temporada de True Detective e recentemente pela minissérie Maniac. Embora Fukunaga não tenha dirigido nenhum dos 10 episódios de The Alienist, a direção da série possui o requinte semelhante ao trabalho dele e os créditos são do excelente trabalho dos diretores, entre eles Jakob Verbruggen, um dos produtores da série.  Além disso, ela conta com o ótimo trabalho de design de produção e direção de arte uma vez que os episódios foram filmados em Budapeste, onde construíram ruas inteiras, vestidas imaculadamente para recriar a Nova York de 1896. 

A série realmente o transporta para outra época e com isso seguimos os protagonistas enquanto perseguem pistas em becos escuros, investigam bordéis cheios de doenças e assistem a óperas enquanto tentam impedir um assassino de matar mais outros garotos pobres da cidade. E juntamente com essas investigações, a narrativa também discute a corrupção existente na polícia nova-iorquina e nas famílias influentes da cidade.




Descrição da imagem: Daniel Brühl e Luke Evans saem de uma carruagem em um local arborizado.Os dois possuem olhares atentos para algo na frente deles. 



O Dr. Kreizler é um personagem muito interessante, obcecado pelo seu alto desempenho, não diferente do Sherlock de Benedict Cumberbatch  na série britânica baseada na obra de Arthur Conan Doyle. O passado conturbado do Dr. Kreizler e sua precisão clínica adicionam uma camada de mistério que permanece obscura até o fim. Outro ponto interessante do personagem é o relacionamento dele com seus três empregados,  Mary, Cyrus e Stevie (vividos por Q'orianka Kilcher, Robert Wisdom e Matt Lintz), em que ambos são protegidos pelo Doutor e chega um momento em que ele se questiona sobre esse sistema de servidão em sua casa. Daniel Brühl é impecável como sempre e seu trabalho na série é merecedora de indicações aos prêmios da tv.


No entanto, do trio central, Dakota Fanning é o verdadeiro destaque. Sara  é uma personagem maravilhosa e super empoderada uma vez que para os costumes da época, ser uma jovem solteira de uma família respeitável trabalhando num ambiente predominantemente masculino (o departamento de polícia da cidade) era algo quase impensável para a sociedade. Perseguir assassinos, entrar em bordéis decadentes e questionar a autoridade masculina era algo impróprio para uma mulher. Há determinadas cenas em que ela questiona e comenta a visão estúpida da época (mas que infelizmente ainda existe) sobre o papel da mulher na sociedade como numa cena onde ela encontra seus ex-colegas de faculdade e uma das colegas defende a ideia de que é preciso casar para ser feliz. Outra cena bem no início da série enquanto Sara se veste, ela questiona a necessidade de se usar cintas apertadas e fala algo como “Parecem que eles têm medo de nossas curvas” se referindo aos costumes impostos pelo patriarcado (costumes que ainda são impostos, de outras maneiras, pela nossa atual sociedade machista ). A interpretação de Dakota está maravilhosa e fico muito feliz por ela voltar a mostrar que é uma atriz talentosa depois de alguns filmes que não deram muito certo.

Descrição da imagem: Em destaque está Dakota Fanning de vestido verde e preto em que as mangas caem sob os ombros, luvas pretas, um colar preto no pescoço e com um penteado preso em um coque arrumado. Atrás dela estão os atores Douglas Smith, Matthew Shear, Daniel Brühl e Luke Evans caminhando num corredor cheio de abajures e objetos de decoração.



Fechando o trio protagonista, temos John Moore, que representa quase que a voz da razão para o Dr. Kreizler. E, além disso, ele é um personagem a quem a gente se apega de verdade pelo sentimento de humanidade que existe dentro dele.  Luke Evans (reizinho do meu coração) também está ótimo em seu papel.


Todos os subplots destes personagens contribuem para o drama, e funciona como uma distração temporária (e pausa) do horror dos crimes que estão investigando. E falando na investigação, ela é desenvolvida através de pistas e plot twists instigantes fazendo o suspense crescer a cada episódio.  No centro destas investigações há discussões interessantes sobre o preconceito a imigrantes, o preconceito de gênero e traumas extremos.  


The Alienist é baseada em apenas um dos livros de Caleb Carr e, portanto, com o sucesso dessa temporada uma segunda foi confirmada em que adaptará outro livro com esses personagens, o The Angel of Darkness. Isso significa que muito em breve veremos Laszlo, Sara e John em ação novamente.




Trailer legendado:





FICHA TÉCNICA:

Gênero: Drama, Thriller
Número de episódios: 10
Direção: Jakob Verbruggen, Paco Cabezas, James Hawes, Jamie Payne, David Petrarca
Roteiro: Hossein Amini, E. Max Frye, Cary Joji Fukunaga, Gina Gionfriddo, Chase Palmer, John Sayles
Elenco: Daniel Brühl, Dakota Fanning, Luke Evans, Brian Geraghty, Robert Wisdom, Douglas Smith, Matthew Shear, Q'orianka Kilcher, Matt Lintz, David Wilmot, Ted Levine, Martin McCreadie, Daisy Bevan, Jackson Gann, Grace Zabriskie, Michael Ironside, Sean Young, Antonio Magro, Josef Altin, Jefferson White, Oliver Carter, Dominic Boyle, Sean McGinley
Produção: Jakob Verbruggen, Hossein Amini, Cary Joji Fukunaga, E. Max Frye, Rosalie Swedlin, Eric Roth
Fotografia: Chris Seager, P.J. Dillon, Gavin Struthers, Larry Smith
Trilha sonora: Rupert Gregson-Williams
Edição: Katie Weiland, Tanya M. Swerling, Matt Platts-Mills, Nick Arthurs, Philip Kloss, Martin Nicholson
Figurino: Michael Kaplan
Design de produção: Mara LePere-Schloop, Will Hughes-Jones
Direção de arte: Zsuzsanna Borvendég, Andres Cubillan, Biljana Jovanovic, Gergely Rieger, Karl Probert, Bill Crutcher
País: EUA
Ano: 2018



sábado, 8 de dezembro de 2018

[REPOST] - MULHERES NA DIREÇÃO | ALIAS GRACE (2017)


Descrição da imagem: a personagem Grace Marks, de vestido longo e mangas compridas e com seu cabelo preso num coque está sentada na cama de uma cela. Ela olha fixamente para a parede à sua frente. Uma luz matinal entra pelos buracos quadriculados da janela. Um banco e um balde de madeira também estão no local.


Obs: Texto originalmente escrito em janeiro de 2018




2017 foi um ano recheado de novas produções televisivas e muitas delas se destacaram por sua qualidade narrativa, estilo e principalmente pelos temas abordados. Outro aspecto que destaco foi a presença de mulheres incríveis envolvidas nessas produções, seja protagonizando estas histórias ou por trás das câmeras, comandando episódios magníficos.  

A minissérie Alias Grace entra para o grupo de histórias marcantes lançadas ano passado (em novembro, mais precisamente) e é baseada em uma história real e no romance escrito por Margaret Atwood - que também escreveu O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale). Lançada pela Netflix, ela é um tipo de história fantasticamente diferente sobre o poder feminino e traz em sua direção a maravilhosa Mary Harron (diretora de Psicopata Americano) e no roteiro da incrível Sarah Polley (Histórias que Contamos). Enquanto The Handmaid's Tale faz um estudo social moldado na desesperança e dor de existir dentro de um sistema desumanizante, Alias Grace realiza algo muito mais sutil em mostrar uma história também feminista e cheia de camadas sobre como as mulheres são tratadas pelo sistema.

No decorrer de seus 6 episódios, acompanhamos a vida de Grace Marks (interpretada por Sarah Gadon), uma ex-empregada que foi condenada à prisão pelo assassinato de seu patrão, Thomas Kinnear (Paul Gross) e da governanta Nancy Montgomery (Anna Paquin), no Canadá do século XIX. À medida que ela sofre os abusos dos sistemas de prisão e asilo, um pequeno núcleo de espectadores da classe alta defende sua inocência - aparentemente fora do altruísmo do progressismo social. Para esse fim, o psiquiatra Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft) é chamado para avaliar o estado mental de Grace e verificar a verdade de sua culpa ou inocência.

Descrição da imagem: o Dr. Jordan sentado em uma cadeira segura um lápis e um livro de anotações. Ele possui um olhar de curiosidade e está com a testa franzida.


Grace é totalmente oprimida: encarcerada, abusada e silenciada, ela flutua como uma curiosidade e como uma "assassina célebre" para o povo da cidade. No entanto, a minissérie desenvolve o poder de Grace engenhosamente mostrando toda sua força para sobreviver àquele lugar e àquelas pessoas. Grace segura todas as rédeas em suas mãos, especificamente por causa da posição aparentemente impotente em que seus "superiores" a colocaram. Assim como June em The Handmaid’s Tale, Grace sabe que precisa usar da manipulação para sobreviver numa sociedade opressora.

A primeira característica marcante em que a série se constrói é através do sua narrativa: grande parte da história é contada em vários voiceovers, principalmente com Grace, enquanto ela oferece ao Dr. Jordan exatamente o que ele veio descobrir: a versão dela da história. Mas esse é precisamente o cerne da narração da série. Grace é responsável pela narrativa, e ela é uma contadora de histórias magistral. Os padrões particulares de seu discurso - cuidadoso, sério e tão finamente trabalhado como as costuras nas colchas que ela costuma fazer continuamente - vem caracterizar seu controle sobre a narrativa. Enquanto o Dr. Jordan e seus outros benfeitores se apegam a ela por respostas, ela entende que controla aquela história e o que eles aprendem e acreditam.

Descrição da imagem:  É fim de tarde. Em um local com árvores, Grace de vestido, um lenço no pescoço e uma touca no cabelo, olha para o lado. Mais atrás está o personagem Thomas Kinnear segurando um lampião aceso.


O segundo elemento que dá a Grace seu poder - e é aí que série atinge sua nota mais forte - é o fascínio mórbido com o sofrimento das mulheres. Observamos o Dr. Jordan devorar cada pedaço da história de Grace - isto é, cada perda subseqüente, abuso e devastação. Mas simultaneamente, o público se apega aos mesmos detalhes horríveis. Grace torna seu sofrimento algo que fascina seus ouvintes (nós e o Dr. Jordan). Ela o usa como moeda e ao mesmo tempo como acusação para a multidão de aristocratas que, por um lado, estão fascinados com sua célebre assassina e, por outro lado, com todo o espiritismo e a comunicação com os mortos.

Nada disso seria uma excelente narrativa sem a impressionante precisão das performances de seu elenco, principalmente Sarah Gadon como Grace e Rebecca Liddiard, como a melhor amiga dela, Mary Whitney. As duas atrizes mostraram performances fortes e cativantes que se entrelaçam com as voltas da história e nos dão a compreensão multivalente da narrativa que faz a série brilhar. A direção de Mary Harron é excepcional, com enquadramentos inteligentes e escolhas que enaltecem as expressões de sua protagonista, mostrando como Sarah Gadon é incrível, numa atuação que carrega muitas nuances e profundidade. Além disso, há a bela fotografia da série assinada por Brendan Steacy e o design de produção feito por Arvinder Grewal, onde juntos são peças fundamentais para a construção da época retratada.

Descrição da imagem: As personagens Mary Whitney e Grace Marks lado a lado conversam com outras duas criadas que estão de costas. Mary segura um papel e possui um olhar de alegria no rosto. Ela, Sarah e as outras duas garotas estão de toucas em seus cabelos.


Claro, como em The Handmaid's Tale, é quase impossível assistir a Alias Grace fora do contexto dos eventos atuais em Hollywood. Com a campanha #MeToo nas mídias sociais e as acusações derrubando homens poderosos de seus pedestais bem como a onda de conservadorismo que  vê a mulher como subalterna e apenas reprodutora, obras como estas, são essenciais dentro da cultura pop, tocando em temas universais e relevantes. Alias Grace é uma história sobre uma mulher esmagada no fundo da pilha social pelo fato de ser mulher, cujos abusos são muitas vezes os abusos cometidos em mulheres que não têm voz para denunciar esses ataques. Mas a Grace mais velha e maltratada com esses abusos que a roubaram de sua liberdade usa sua voz - a força narrativa - para manipular suas desvantagens e derrubar os homens que a manipularam - ou pelo menos, para roubá-los especificamente de seu poder sobre ela. 

Trailer legendado



FICHA TÉCNICA:

Gênero: Drama
Número de episódios: 6
Direção: Mary Harron
Roteiro: Sarah Polley
Elenco: Sarah Gadon, Edward Holcroft, Rebecca Liddiard, Zachary Levi, Paul Gross, Anna Paquin, Kerr Logan, Stephen Joffe, David Cronenberg, Sarah Manninen, Alice Snaden, Mag Ruffman, Claire Armstrong, Jonathan Goad, Samantha Weisntein, Kate Ross 

Produção: Sarah Polley, D. J. Carson
Fotografia: Brendan Steacy
Trilha sonora: Jeff Danna, Mychael Danna
Edição: David Wharnsby
Figurino: Simonetta Mariano
Design de produção: Arvinder Grewal
Direção de arte: Dean A. O'Dell, Brad Milburn
País: Canadá
Ano: 2017





segunda-feira, 26 de novembro de 2018

CRÍTICA DE SÉRIE | THE HAUNTING OF HILL HOUSE (2018)

Descrição da imagem: foto promocional da série. Pode-se ver na parte superior a mansão e as cinco crianças na frente dela. Na parte inferior da imagem está o rosto de uma das personagens, mostrado do nariz ao queixo e uma lágrima escorrendo.



The Haunting of Hill House é o tipo de série que faz com que a estória apresentada fique com você depois do fim de cada episódio e também do fechamento final de toda a narrativa.


A série com 10 episódios é uma produção original de horror/ drama da Netflix, criada pelo cineasta Mike Flanagan e adaptada do livro de Shirley Jackson, que segue uma família - os Crain - morando em uma mansão durante o verão na esperança de restaurá-la e com isso vendê-la.  Mas já no início, descobrimos que isso nunca acontece devido a uma noite trágica, que é constantemente revisitada ao longo dos episódios. A sequência de eventos é, mais ou menos, contada em uma ordem climática, na qual os roteiristas revelam progressivamente mais detalhes ao longo do tempo, pintando um quadro cada vez maior conforme a estória se desenvolve.


Acompanhamos os irmãos Crain através de sua infância e vida adulta, usando flashbacks de uma maneira eficaz para revisitar as mesmas cenas do passado na mansão com diferentes perspectivas. Isso é especialmente bem feito durante a primeira metade da série. A família é composta pelos pais, Olivia e Hugh, e seus cinco filhos: Steven, Shirley, Theodora, Nell e Luke . Cada um dos cinco primeiros episódios é contado da perspectiva de uma criança diferente (assim como cada um deles, adultos no tempo presente), revelando mais sobre cada personagem. Esta primeira metade da série é concluída com o episódio de Nell, que possui a melhor reviravolta e alguns dos momentos mais emocionantes e fortes da série . O episódio é maravilhoso e doloroso pelas mesmas razões e com certeza é o ápice da narrativa. Isso não quer dizer que a segunda metade é fraca. Ela é apenas um pouco diferente da primeira uma vez que um certo acontecimento faz com que o foco da estória caminhe para algo que de fato, reúne todos os personagens para um mesmo propósito.

Descrição da imagem: a garotinha Nell de costas está descalça sob um tapete. Afastados dela e à sua frente, estão sua família (seus pais e seus 4 irmãos), alguns deles segurando lanternas acesas próximos a escada da mansão.

A série não apela para jumps scares e sustos desnecessários durante os episódios, mas há elementos do terror gótico combinado com uma atmosfera bem estabelecida que fazem com que a estória seja um ótimo terror. Há uma pitada de medo, mas também há situações um tanto quanto assustadoras que são muito bem realizadas como acontece com as cenas que aparece a Moça do Pescoço Torto, o fantasma que assombra a filha mais nova, Nell.


A casa parece estar viva no sentido de que durante o dia dorme e durante a noite desperta. Há um ritmo bem estabelecido de pequenas coisas que acontecem durante o dia e momentos importantes que ocorrem durante a noite. E esses momentos além de ser a chave para entender a estória também são elementos fundamentais para a construção de cada personagem, especialmente os cinco irmãos. Aliás, há uma chave, literalmente falando, que serve como uma metáfora para o desenvolvimento desses personagens. Entretanto, não é o terror o principal elemento de Hill House, mas sim tudo que reverbera para o drama familiar. A série é mais sobre enfrentar os traumas pessoais e menos sobre o sobrenatural.


Cada um deles tem seus próprios demônios pessoais, bem como problemas que precisam lidar na vida adulta que levam a intrigas ao redor deles. Steve e Shirley, os irmãos mais velhos, são aqueles que mais tentam aparentar que conseguiram “superar” seus problemas, enquanto que Theo é aquela que tenta construir uma barreira interna e fazer dela seu remédio para adormecer seus traumas. Eles vivem numa espécie de negação sobre os fantasmas literais e metafóricos de seu passado. Já Nell e Luke, os gêmeos mais novos, são aqueles que nunca conseguem seguir em frente e isso fica cada vez mais evidente no decorrer da estória. De um modo geral, os personagens são moldados mais em suas emoções do que em suas motivações.



Descrição da imagem: os irmãos Steven e Luke conversam frente a frente, Atrás deles, estão suas duas irmãs, Shirley e Theo, em pé e olhando para os dois.

Todo o elenco está muito bem em cena, desde os atores mirins que interpretam os irmãos no passado assim como todo o elenco adulto. Carla Gugino está impecável no papel da mãe. As nuances da sua personagem são mostradas muitas vezes pelo olhar. O mesmo pode-se dizer de Elizabeth Reaser, que interpreta Shirley na fase adulta e traz uma complexidade à personagem. Kate Siegel é outra que surpreende a cada episódio na pele de Theo , assim como Victoria Pedretti que dá uma vulnerabilidade à sua personagem Nell e protagoniza a cena mais emocionante da série. Michiel Huisman (Steven) e Oliver Jackson-Cohen (Luke) também carregam atuações super competentes assim como Henry Thomas e Timothy Hutton, os dois atores que interpretam o pai no passado e presente respectivamente. Por falar em Henry Thomas (o eterno Elliot do clássico E.T), há uma cena no primeiro ou segundo episódio onde há uma singela homenagem ao clássico de Steven Spielberg mostrado em um dos brinquedos do filho mais novo.


Além de showrunner, Mike Flanagan dirige todos os 10 episódios e seu trabalho é espetacular tanto nas cenas dentro da mansão como nos momentos intensos dos personagens na fase adulta. Ele é conhecido por dirigir filmes de terror como O Espelho e Ouija: Origem do Mal e uma adaptação de Stephen King, o thriller Jogo Perigoso estrelado por Carla Gugino. Ele vai dirigir outra adaptação de King, o filme Doutor Sono, sequência do clássico O Iluminado de Stanley Kubrick.



Descrição da imagem: a jovem Nell se olha no espelho. vestindo um vestido de cor clara, aproxima sua mão ao rosto.

Combinados com a direção de Flanagan estão o excelente design de produção assinado por Patricio M. Farrell e a direção de arte de Heather R. Dumas e Hugo Santiago, que juntos constroem a bela ambientação no melhor estilo terror/romance gótico. 


The Haunting of Hill House é sem dúvidas, uma das séries mais interessantes e bem realizadas do ano com um roteiro bem amarrado e que prende o espectador durante seus 10 episódios. Ainda não se sabe quando sairá uma possível segunda temporada, mas o showrunner adiantou que se renovada, a série contará a história de outra família, criando assim uma antologia. Mesmo não tendo uma nova história da família Crain, ela continuará sendo uma família especial para todos que se apegaram a esses personagens.




Trailer legendado:





FICHA TÉCNICA:


Gênero: Drama, Terror
Número de episódios: 10
Criador: Mike Flanagan
Direção: Mike Flanagan

Roteiro: Mike Flanagan, Meredith Averill, Jeff Howard, Charise Castro Smith, Rebecca Klingel, Scott Kosar e Elizabeth Ann Phang
Elenco: Michiel Huisman, Elizabeth Reaser, Carla Gugino, Henry Thomas, Timothy Hutton, Kate Siegel, Victoria Pedretti, Oliver Jackson-Cohen, Lulu Wilson, Mckenna Grace, Paxton Singleton, Julian Hilliard, Violet McGraw, Anthony Ruivivar, Samantha Sloyan, Annabeth Gish, Robert Longstreet, Olive Elise Abercrombie, James Lafferty, Jordane Christie, Anna Enger Ritch, Levy Tran, May Badr, Fedor Steer, Catherine Parker, Elizabeth Becka, Brittany Godfrey

Produção: Dan Kaplow
Fotografia: Michael Fimognari
Trilha sonora: The Newton Brothers
Edição: Brian Jeremiah Smith, Ravi Subramanian, Jim Flynn
Figurino: Lynn Falconer
Design de produção: Patricio M. Farrell
Direção de arte: Heather R. Dumas, Hugo Santiago
País: EUA
Ano: 2018






sexta-feira, 16 de novembro de 2018

CRÍTICA DE SÉRIE | O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA - 1ª TEMPORADA (2018)

Descrição da imagem: a personagem Sabrina Spellman olha para frente. À sua frente está um bolo de aniversário com 16 velas acesas.



A personagem Sabrina Spellman remonta a 1962, quando ela começou como uma personagem pequena no universo da Archie Comics, aparecendo em histórias ao lado de outros personagens daquele universo como Archie, Betty, Veronica, Jughead e sua turma (todos eles de Riverdale). Posteriormente, ela ganhou sua própria história com sua própria escola e aventuras românticas e, claro, com um pouco de feitiçaria.

No entanto, foi a TV e não os quadrinhos, onde Sabrina alcançou o status de ícone. Sua história ganhou destaque nos EUA com o desenho animado de 1970, Sabrina The Teenage Witch - um spinoff de The Archie Comedy Hour.  E foi então que pouco tempo depois ela conseguiu sua própria revista em quadrinhos.

Todas as versões de Sabrina foram diferentes - a história em quadrinhos de Archie, o desenho animado, a série no formato sitcom da década de 90, Sabrina – A Aprendiz de Feiticeira (que eu amava). É uma história que é contada repetidas vezes porque a Sabrina de cada geração possui uma nova narrativa para contar e ser desenvolvida. Falando sobre o reboot da Netflix, a atriz Kiernan Shipka, protagonista desta nova versão mais sombria, disse que sua Sabrina é totalmente atual e traz temas relevantes para essa geração. E ela está certíssima. O Mundo Sombrio de Sabrina não é apenas uma série sobre bruxas e aspectos sobrenaturais, mas também é uma história que carrega temas e questões que envolvem representatividade, fator que cada vez mais vem ganhando destaque nas produções televisivas.  



Descrição da imagem: Sabrina, sorrindo está ao lado de suas amigas Susie (segurando um pacote de pipoca) e Roz e seu namorado Harvey. Atrás deles encontra-se uma cabine de bilheteria de um cinema.


O showrunner Roberto Aguirre-Sacasa dá a esse reboot de Sabrina uma roupagem sombria e tensa, cheia de emoções sangrentas, momentos tensos e vilões um tanto quanto assustadores (como o próprio diabo). Em cada episódio, Sabrina e toda a cidade de Greendale dão um passo cada vez mais mais perto para um final mais sinistro.

Sabrina é uma adolescente meio bruxa e meio mortal. Seu pai era um poderoso feiticeiro e sua mãe, uma humana normal de Greendale. Desde a morte deles num misterioso acidente, Sabrina foi criada por suas tias Hilda e Zelda Spellman. Mantendo sua herança mágica em segredo, ela frequenta a escola Baxter High School com suas melhores amigas, Roz e Susie, e seu namorado, Harvey. Sua personalidade que combina uma teimosia (um resgate das outras versões da personagem) com seu altruísmo me faz lembrar outro famoso personagem bruxo: Harry Potter. Os dois possuem backgrounds um pouco parecidos (tirando o fato de Harry ter sido criado com tios horríveis) e uma narrativa semelhante como os escolhidos em suas respectivas histórias.

Conhecemos Sabrina Spellman enquanto ela cuidadosamente  conta os dias em seu calendário, levando à data em que ela escreveu “16º aniversário” e logo abaixo “Batismo das Trevas” no dia 31 de outubro. Suas tias (bruxas ativas em seu coven, A Igreja da Noite) preparam Sabrina para seu batismo e a incentivam a honrar o nome da família Spellman, desejando transferi-la  da sua escola humana para uma escola de bruxas, a Academia das Artes Ocultas. A antiga instituição é liderada pelo sumo sacerdote do coven, Faustus Blackwood, mas os corredores são governados por um trio de garotas malvadas e poderosas, apelidadas de The Weird Sisters (uma versão bruxa das Mean Girls). No entanto, Sabrina não quer se submeter ao batismo porque assinar “O Livro da Besta” significa entregar sua alma para o Lorde das Trevas e renunciar a sua vida mortal. Ela deseja ficar no mundo comum com as pessoas que ama, afinal, foram seus amigos humanos que sempre estiveram em sua vida e dizer adeus a eles é algo doloroso demais. E além de tudo, ela deseja sua liberdade individual e não uma vida em que seja obrigatório obedecer a preceitos impostos por uma sociedade excludente e fundamentalista. (Isso é bem familiar com nosso mundo real, né non?!)

Descrição da imagem: Sabrina (no lado esquerdo) de vestido preto está ao lado de suas tias Hilda e Zelda (esta usa óculos escuros) com lenços em suas cabeças. Atrás delas estão outros bruxos. Todos estão dentro da Igreja da Noite.


Este é o tema principal que envolve  O Mundo Sombrio de Sabrina, onde Sabrina está constantemente desafiando o que as outras bruxas intencionalmente concordam, pois elas as consideram a “norma” em seu coven. Embora ela tenha sucesso na maior parte do tempo, há algumas ocasiões em que ela falha - mostrando para ela um melhor entendimento das consequências que a magia traz porque, como diz a tia Zelda, “sempre há um preço”.

A história fornece alguns problemas e resoluções simples e satisfatórias ao longo do caminho, já que Sabrina e seus amigos confrontam de tudo, desde atletas machistas do high school até censura de obras literárias na escola (olha a crítica social foda sobre a tentativa de criar uma escola sem partido) – e é claro, feitiços de exorcismo, ressurreição e outras bruxarias legais e sinistras.  A série tem uma estética retrô (dos carros ao figurino), mas sensibilidades modernas sobre o feminismo e o respeito à identidade de gênero de cada um.

Kiernan Shipka é brilhante no papel, enfatizando a inteligência e a compaixão de Sabrina ao triunfar sobre valentões, monstros e misóginos, enquanto se une com seus amigos quando eles precisam dela. Os personagens coadjuvantes também são bem construídos, como as tias de Sabrina, Hilda (Lucy Davis) e Zelda Spellman (Miranda Otto) ganhando ótimos desenvolvimentos de personagem.  A tia Hilda é simplesmente a personagem mais amorzinho da série 💖 e a Zelda de Miranda Otto é muito diva mesmo. Harvey (Ross Lynch) é mais do que um namorado doce. Ele decide desafiar o pai para tentar construir sua própria história. As amigas de Sabrina, Rosalind (Jaz Sinclair) e Susie (Lachlan Watson), também têm suas próprias histórias de fundo que lentamente se desenrolam até se tornarem essenciais para os enredos centrais da série. Ambrose (Chance Perdomo), primo de Sabrina e o melhor personagem 💖 , atua como seu confidente e oferece alguns conselhos mágicos quando ela mais precisa. Ele também oferece ao público um pouco de leveza durante os momentos mais difíceis da série e assim como os outros coadjuvantes, ele possui um background interessante que pode ser explorado na segunda temporada. Entre as Weird Sisters quem mais se destaca é Prudence (Tati Gabrielle), a Regina George do coven e rainha destruidora mesmo! Os personagens antagônicos que também surpreendem são a Sra. Wardwell (muito bem interpretada por Michelle Gomez) e o padre da Igreja da Noite, o Sr. Blackwood (Richard Coyle). E claro que eu não poderia me esquecer de Salem, o gato de Sabrina, que na série é como um protetor dela uma vez que todo bruxo precisa de um animal chamado de familiar. E mesmo ele não sendo um gato falante como acontecia com o Salem da série dos ano 90, ele se torna muito icônico até na vida real (basta ver suas fotos no evento da première da série).

Descrição da imagem: Ambrose em seu quarto, olha assustado para algo. 

A direção dos seus 10 episódios é bastante diversa e alguns podem se diferenciar de outros, mas sem muitas mudanças estilísticas. É ótimo saber que duas diretoras (Maggie Kiley e Rachel Talalay) comandaram alguns episódios e elas também já dirigiram episódios de outras séries como Riverdale e Doctor Who. Por falar em Riverdale, há sutis referências sobre ela em O Mundo Sombrio de Sabrina uma vez que ambas as séries fazem parte do mesmo universo de quadrinhos. Mas uma série não é spin off da outra e não há a necessidade de assistir Riverdale antes de Sabrina. É comum estranhar um pouco a câmera e a fotografia da série em seus primeiros episódios, onde há cenas que possuem o ambiente desfocado ao redor de Sabrina, mas isso vai diminuindo aos poucos no decorrer da narrativa. Os efeitos especiais são simples e não prejudicam a qualidade da obra.


O Mundo Sombrio de Sabrina é uma ótima mistura de fantasia, dramas adolescentes e uma pitada de terror que faz a série ser divertida e envolvente e que também discute temas sociais relevantes e necessários. A segunda temporada já está garantida para o próximo ano e agora em dezembro vai ser lançado um episódio especial de fim de ano para celebrar o dia do solstício. Praise Satan!


Trailer legendado



FICHA TÉCNICA:

Gênero: Drama, Fantasia, Terror
Título Original: Chilling Adventures of Sabrina
Número de episódios: 10
Criador: Roberto Aguirre-Sacasa
Direção: Rob Seidenglanz, Maggie Kiley, Lee Toland Krieger, Craig William Macneill, Viet Nguyen, Rachel Talalay, Alex Garcia Lopez, Alex Pillai
Roteiro: Roberto Aguirre-Sacasa, Donna Thorland, Matthew Barry, Oanh Ly, Lindsay Calhoon Bring, Axelle Carolyn, Joshua Conkel, Christianne Hedtke, Mj Kaufman, Ross Maxwell
Elenco: Kiernan Shipka, Ross Lynch, Miranda Otto, Lucy Davis, Chance Perdomo, Michelle Gomez, Jaz Sinclair, Lachlan Watson, Richard Coyle, Tati Gabrielle, Adeline Rudolph, Abigail F, Cowen, Gavin Leatherwood, Darren Mann, Bronson Pinchot, Justin Dobies, Christopher Rosamond, Anastasia Bandey, L. Scott Caldwell, Megan Leitch, Alessandro Juliani, Alvina August, Georgie Daburas, Annette Reilly, Ty Wood, Peter Bundic 
Produção: Matthew Bary, Craig Forrest, Ryan Lindenberg
Fotografia: Brendan Uegama, Craig Powell, Stephen Maier, David Lanzenberg
Trilha sonora: Adam Taylor
Edição: Elizabeth Czyzewski, Rita K. Sanders, Harry Jierjian
Figurino: Angus Strathie
Design de produção: Lisa Soper
Direção de arte: Aer Agrey, Stevo Bedford
País: EUA
Ano: 2018